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As doenças genéticas, os testes de DNA e o Border Collie no Brasil Recentemente, em conjunto com laboratórios dos EUA e do Brasil, iniciou-se uma nova fase na criação da raça Border Collie no Brasil, que promete revolucionar a maneira como os cães desta raça vem sendo criados e comercializados em nosso país. Alguns criadores e proprietários aproveitaram um acordo feito com o laboratório Optigen, nos EUA, onde foi conseguido um desconto de 30% no valor dos exames de DNA, para enviar amostras de sangue de seus cães para serem testadas. Os exames de DNA podem detectar a presença de genes recessivos que provocam algumas doenças sérias da raça. Todos os cães testados deverão estar listados neste Banco de Dados do link abaixo, que pode e deve ser consultado sempre antes de se proceder à reprodução de qualquer indivíduo da raça. http://bordercolliehealth.com/ Dentre as doenças testadas estão: CEA/CH - Collie Eye Anomally, ou doença do olho do Collie, é uma doença comum nos Collies, mas que também atinge outras raças como o Pastor de Shetland, Bearded Collie, Australian Shepherds, Lancashire Heelers e o Border Collie. Caracteriza-se pela presença de Hipoplasia Coroidal (CH) que é o que caracteriza a doença, às vezes Colobomas e raramente, nos casos mais graves, Descolamento de Retina, que leva à cegueira total ou parcial. Não tem cura. CL - Neuronal Ceroyd Lipofucinosis, que é um defeito no armazenamento dos Lysossomas no interior das células de vários tecidos do organismo do animal, principalmente a nível cerebral e que resulta num acúmulo destes corpúsculos provocando vários tipos de desordens. Os sintomas vão desde tremores, ataques, espasmos e a morte do animal jovem ainda, ± 2 a 3 anos. Ocorre em raças como English Setters, Tibetan Terriers, American Bulldogs e no Border Collie. Esta doença não tem cura e é uma das mais terríveis, pois provoca muito sofrimento no animal. TNS - Trapped Neutrophil Syndrome, que é um defeito no transporte de Neutrófilos (Glóbulos Brancos) responsáveis por defender o organismo de infecções, os Neutrófilos são produzidos no interior dos ossos, mas não chegam aos locais infectados. Geralmente os filhotes morrem antes de completar 2 meses, de infecções generalizadas, ou ainda depois da primeira dose de vacina. Longe de ser uma doença rara, ela pode ser diagnosticada erroneamente como Parvovirose, ou Corona virose, ou outra doença comum qualquer, simplesmente porque os filhotes morrem com os mesmos sintomas, as diarréias sanguinolentas, vômitos, a falta de apetite, etc., dependendo da infecção que os acomete. É de difícil diagnóstico, pois a contagem de Neutrófilos é normal nos hemogramas. Não tem cura. (Este exame é realizado pela OptiGen (veja a página das Clínicas OptiGen), MDR1 - Multi Drug Resistence, que é a falta de uma proteína (P glicoprotein), responsável pelo bombeamento de metabólitos dos fármacos ingeridos, para fora das células do organismo, principalmente no cérebro, onde a falta dessa proteína acarreta o acúmulo de substâncias tóxicas que não são bombeadas para fora das células, matando os animais por intoxicação nervosa. Esse exame é realizado no Brasil, pelo LAFA da UFRGS e tem custo irrisório. Todas as doenças citadas anteriormente são provocadas por genes recessivos e são facilmente detectadas no exame de DNA, onde os resultados possíveis podem ser: CLEAR / NORMAL - o cão é homozigoto dominante e não tem o gen da doença. Ex: AA CARRIER / PORTADOR - o cão é heterozigoto e saudável, não apresenta a doença, mas carrega o gen que a provoca. Ex: Aa AFFECTED / AFETADO - o cão é homozigoto recessivo e apresenta a doença, variando em níveis de severidade de acordo com cada indivíduo e qual a doença que o afeta. Ex: aa Baseado numa tabela de cruzamentos, o criador pode evitar o aparecimento futuro dos genes em seus filhotes, evitando assim que eles apresentem as doenças. Basta fazer o teste de DNA e reformular seu plano de criação, para eliminar os genes recessivos de seu futuro plantel. Neste ponto chegamos ao grande impasse! Vejam na tabela abaixo os cruzamentos que não produzem filhotes doentes, em qualquer uma das doenças citadas acima: Baseado nesta tabela, um criador, dito responsável, pode cruzar cães Portadores com Normais e produzir filhotes saudáveis, mas com probabilidade de metade das ninhadas serem Portadores também. Pode ainda cruzar um cão Afetado com um Normal e produzir todos os filhotes Portadores, mas saudáveis. Estes filhotes só poderiam ser cruzados com cães Normais, sempre. Seguindo à risca esta técnica, o criador não precisa afastar um cão Portador ou Afetado, que seja um bom reprodutor, de sua criação, bastando para isso investir um pouco mais e testar o DNA de todos os filhotes da ninhada, para saber quais são Portadores e quais são Normais. Pode-se ainda castrar os filhotes Portadores para não se correr o risco de disseminar os genes que provocam as doenças e estes filhotes seriam vendidos como pet ou para esportes ou trabalho, mas não para reprodução, ou se este fosse o caso o criador deve deixar clara a possibilidade de disseminação da doença ao novo criador/proprietário e ensinar a técnica para que o gen não afete seus futuros filhotes. Pode-se ainda criar um Código de Ética entre os criadores para que esta seja uma regra a ser seguida, como já ocorre em alguns Clubes e entidades ligadas à raça. Porém a história da raça atualmente no Brasil não acena com boas notícias. Após alguns testes de DNA, realizados em poucos cães ainda, detectou-se um grande percentual de cães Portadores de CEA/CH e até Afetados. Isto se deve ao fato que terem sido feitos durante os últimos anos, cruzamentos entre cães Portadores, que foram trazidos ao país sem que fossem feitos testes pelos criadores de fora, ou mesmo um estudo sobre a genética dos cães para estas doenças, já que o advento dos testes de DNA é uma novidade e ainda é caro. Isto trouxe os genes recessivos para nosso plantel e disseminou pelo país algumas dezenas de cães Portadores, que por sua vez, estão sendo utilizados por vários criadores em todos os meios em que a raça está presente, no Pastoreio, Agility, Show, principalmente na criação para estes fins. Estes cães Portadores, inadvertidamente e, até agora não por culpa dos criadores, estão sendo cruzados entre si e isso representa um grande perigo para a raça em nosso país. Depois de alguns testes, muitos destes cães foram diagnosticados Portadores de CEA/CH e quanto às outras 2 doenças, em breve os testes de CL e TNS da Austrália também serão feitos. Felizmente o histórico de CL dos ancestrais dos Borders no Brasil mostra uma incidência quase nula nas linhas de sangue utilizadas, onde quase todos são CLEAR por parentesco (com cães ancestrais já testados). Mas a probabilidade de presença de Portadores de TNS deve ser levada em conta, até que se tenha certeza do genótipo de cada cão. Resta-nos saber o que fazer agora, como proceder? Devemos simplesmente riscar dos nossos plantéis os cães excelentes que temos? Castrar os Portadores? Ou só castrar os Afetados? Ou não castrar nenhum deles? Bem, a resposta estará na cabeça e consciência de cada um, aqueles que puderem testar todos os filhotes de cruzamentos permitidos (quadro acima) devem fazê-lo sem pestanejar. Aqueles que não quiserem correr nenhum risco devem utilizar somente cães Normais para as 3 doenças citadas acima. Para tanto já se está fechado um acordo com a Optigen, que viabilize valores mais baixos para os testes de ninhadas, já que os filhotes tem que ser microchipados e o exame feito antes dos 3 meses, podemos chegar até mais de 40% de desconto se testarmos as ninhadas de acordo com as orientações deles. O custo dos exames de CL e TNS já é bem baixo, vale a pena fazer. Após os resultados dos testes das ninhadas e de acordo com os planos do criador, os Portadores poderiam ser castrados e vendidos como pet ou para esportes e trabalho, enquanto os Normais poderiam ser vendidos para criadores novos ou antigos. Chegamos aqui a mais um impasse! Será que alguém gostará de comprar um filhote já castrado, sadio, mas portador de um gen que provoca uma doença, mesmo que ele nunca venha a ter a doença? Ou ainda, será que vão querer aguardar mais tempo para poder escolher seu filhote, até que esteja testado? Isso não iria encarecer o valor do filhote mais ainda? Cada um terá as suas respostas e o mercado vai estabelecer os valores. O mais correto seria fazer o exame nos filhotes, destinados à criação, com risco de apresentarem algum dos genes recessivos, assim que for possível microchipar e, depois dos resultados, utilizar só os Portadores que forem muito bons, testando sempre seus filhotes para criação, resultando daí um aproveitamento de linhas de sangue que, caso contrário, poderiam ser perdidas para sempre. Após alguns cruzamentos onde se fica com os filhotes Normais, pode-se parar de usar os Portadores, passando a usar então só os cães Normais, evitando assim em 100% o risco de disseminar o gen. Este procedimento é aprovado e autorizado pelos Clubes mais rígidos da raça, em países como Inglaterra e Austrália. Hoje esta é a única forma de evitarmos o pior, pois neste momento várias ninhadas com cães Afetados podem estar nascendo, sem que os criadores saibam o que estão fazendo. Em Border Collies os efeitos da CEA ainda não foram muito pesquisados. Sabe-se muito mais sobre a doença pelas pesquisas com a raça Collie, que com o passar do tempo e com o cuidado dos criadores, conseguiu-se inclusive atenuar os efeitos da doença do plantel atual, já que a incidência de CEA em Collies é altíssima e usam-se os cães Afetados na reprodução. Só que os que tinham sintomas mais graves foram afastados e os que eram meio assintomáticos eram utilizados, isso atenuou a doença na raça. Sabe-se que só 25% dos cães tem a forma mais severa da doença e podem desenvolver uma cegueira total ou parcial. Porém os outros 75% podem até serem assintomáticos, os chamados "GO Normal", cães onde a lesão, inicialmente detectada no exame oftalmoscópico quando filhote, é escondida pela pigmentação durante o crescimento e não provoca males mais graves na visão do indivíduo, que leva uma vida normal. Portanto cães que anualmente são examinados por um Oftalmologista e atestados como CLEAR, podem ser Afetados "GO Normal", mostrando mais ainda a importância dos testes de DNA. Já para CL e TNS, os cães afetados não tem a menor chance de uma vida saudável, ou morrem de infecções oportunistas quando filhotes, ou de males neuronais terríveis quando jovens. Tudo isso estará sendo vivenciado por muitos criadores, dos grandes e dos pequenos. Não é errado afirmar que, hoje existe uma grande probabilidade do cão, ou cães, que estão no seu canil, serem portadores de CEA, ou de alguma das outras duas doenças. Por isso corra e faça os exames antes de continuar reproduzindo seus cães, é uma questão de responsabilidade para com a raça. Conclusão, além da CEA, as outras duas doenças, CL e TNS, que são mais graves, porém de incidência menor, devem ser testadas pelos criadores, sob o risco de disseminarmos doenças piores ainda, como já o fizemos com a própria CEA. |